Ganhei um livro e ele preenche o tempo nos entre-atos da vida. Priva minha mente do vazio, e do silêncio necessário para as reflexões enfadonhas das obrigações.
Minha compulsão pela leitura = meu refúgio, minha armadura contra...
Há tb um CD. Menos requisitado.
Vc disse entenderia e me compreende com o vazio. O silêncio me parece uma péssima resposta nesse momento.
Há...
Enfim....
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Uma notícia de Jornal...
Certa vez em conversa com um Dramaturgo, refleti sobre a desumanização que todo notícia carrega.
Fato, pega-se um fato substantivo a um protagosnista e traforma-o em texto objetivo. Assim como a foto perde o relevo na descrição do objeto, a notícia o faz com o interlocutor.
Abaixo segue uma notícia de jornal, das poucas que não tiveram reduzido seu relevo:
Gorz e a cerimônia do adeus à mulher
Carta do filósofo austríaco para a esposa revela dificuldade para definir o amor, mas constitui uma prova vigorosa dele
Antonio Gonçalves Filho
É uma história de amor, mas também sobre a tragédia de não saber explicar filosoficamente o amor, o que, no caso do filósofo e jornalista austríaco André Gorz (1923- 2007), representou ao mesmo tempo um desafio e um ajuste de contas com seu passado, antes de se decidir pelo suicídio duplo com sua mulher Dorine, em setembro do ano passado. Numa longa carta dirigida a ela e publicada um ano antes, Carta a D. (tradução de Celso Azzan Jr., Annablume/Cosac Naify, 80 págs., R$ 29), Gorz conta como conheceu e se apaixonou por Dorine, reconhecendo que nem mesmo em seus escritos mais contundentes conseguiu mostrar que o amor por sua mulher foi a razão de sua conversão existencial - em especial Le Traître, alvo de uma autocrítica impiedosa.
Gorz, para quem não viveu os anos 1960, foi um dos teóricos de maior expressão da Nova Esquerda. De formação marxista e amigo de Marcuse, foi incensado pelos estudantes do Maio de 1968 e, posteriormente, reavaliado pelos mesmos na época do lançamento de Adeus ao Proletariado (Forense Universitária, 1982), que obrigou intelectuais de esquerda a uma revisão das formas de organização comunista. Entre outros pontos levantados por Gorz, o de maior relevância foi sua denúncia de que o marxismo criara o culto da "luta redentora" do proletariado. Desanimado com a instrumentalização de Marx, o filósofo transformou-se num dos maiores líderes da ecologia política, propondo, então, uma revolução cultural para acabar também com os excessos do capitalismo. Para começar, foi pioneiro na defesa de uma renda básica para os cidadãos independente do trabalho, influenciando tremendamente políticos como o senador Eduardo Suplicy.
Carta a D. não fala de política. Ou melhor, fala, mas pouco. Gorz toca no tema justamente ao justificar a decisão do casal de se mudar para o campo quando a mulher Dorine foi acometida de uma aracnoidite que a impedia até de se deitar. Instalado numa casa do século 19 no vilarejo de Vosnon, na região de Troyes, o filósofo revê seu passado e tenta encontrar uma resposta para a mais inquietante de todas as perguntas: por que amamos e queremos ser amados por determinada pessoas e excluímos as demais? Nem seu amigo Sartre conseguiu dar uma resposta minimamente aceitável em O Ser e o Nada. Não seria ele que viria a ser o autor dessa definição, ao recapitular sua relação amorosa com Dorine, que, na época de Carta a D., estava para completar 82 anos. Eles viveram juntos 58 anos. A perspectiva de perder o objeto de sua adoração carregou seu peito de um "vazio devorador".
Gorz concluía, no silêncio do campo, que amor, política e literatura ocupam um mesmo lugar. Formam uma espécie de aleph existencial, um ponto no centro do coração do homem. Sua história íntima com Dorine mostra que, nos momentos mais difíceis - o desemprego, a hostilidade política de seus detratores, o rompimento de antigas amizades -, foi a presença da mulher que deu forças à sua militância. Gorz diz com todas as letras que Dorine era o "rochedo" sobre o qual essa união estava construída. Condenada por uma doença incurável, não restava muito a ele além de seguir seus passos em direção à morte. E, também por isso, essa carta é uma resposta a Le Traître, em que seu juramento de amor é apenas formal, literário. Aqui, ele é para valer.
Fato, pega-se um fato substantivo a um protagosnista e traforma-o em texto objetivo. Assim como a foto perde o relevo na descrição do objeto, a notícia o faz com o interlocutor.
Abaixo segue uma notícia de jornal, das poucas que não tiveram reduzido seu relevo:
Gorz e a cerimônia do adeus à mulher
Carta do filósofo austríaco para a esposa revela dificuldade para definir o amor, mas constitui uma prova vigorosa dele
Antonio Gonçalves Filho
É uma história de amor, mas também sobre a tragédia de não saber explicar filosoficamente o amor, o que, no caso do filósofo e jornalista austríaco André Gorz (1923- 2007), representou ao mesmo tempo um desafio e um ajuste de contas com seu passado, antes de se decidir pelo suicídio duplo com sua mulher Dorine, em setembro do ano passado. Numa longa carta dirigida a ela e publicada um ano antes, Carta a D. (tradução de Celso Azzan Jr., Annablume/Cosac Naify, 80 págs., R$ 29), Gorz conta como conheceu e se apaixonou por Dorine, reconhecendo que nem mesmo em seus escritos mais contundentes conseguiu mostrar que o amor por sua mulher foi a razão de sua conversão existencial - em especial Le Traître, alvo de uma autocrítica impiedosa.
Gorz, para quem não viveu os anos 1960, foi um dos teóricos de maior expressão da Nova Esquerda. De formação marxista e amigo de Marcuse, foi incensado pelos estudantes do Maio de 1968 e, posteriormente, reavaliado pelos mesmos na época do lançamento de Adeus ao Proletariado (Forense Universitária, 1982), que obrigou intelectuais de esquerda a uma revisão das formas de organização comunista. Entre outros pontos levantados por Gorz, o de maior relevância foi sua denúncia de que o marxismo criara o culto da "luta redentora" do proletariado. Desanimado com a instrumentalização de Marx, o filósofo transformou-se num dos maiores líderes da ecologia política, propondo, então, uma revolução cultural para acabar também com os excessos do capitalismo. Para começar, foi pioneiro na defesa de uma renda básica para os cidadãos independente do trabalho, influenciando tremendamente políticos como o senador Eduardo Suplicy.
Carta a D. não fala de política. Ou melhor, fala, mas pouco. Gorz toca no tema justamente ao justificar a decisão do casal de se mudar para o campo quando a mulher Dorine foi acometida de uma aracnoidite que a impedia até de se deitar. Instalado numa casa do século 19 no vilarejo de Vosnon, na região de Troyes, o filósofo revê seu passado e tenta encontrar uma resposta para a mais inquietante de todas as perguntas: por que amamos e queremos ser amados por determinada pessoas e excluímos as demais? Nem seu amigo Sartre conseguiu dar uma resposta minimamente aceitável em O Ser e o Nada. Não seria ele que viria a ser o autor dessa definição, ao recapitular sua relação amorosa com Dorine, que, na época de Carta a D., estava para completar 82 anos. Eles viveram juntos 58 anos. A perspectiva de perder o objeto de sua adoração carregou seu peito de um "vazio devorador".
Gorz concluía, no silêncio do campo, que amor, política e literatura ocupam um mesmo lugar. Formam uma espécie de aleph existencial, um ponto no centro do coração do homem. Sua história íntima com Dorine mostra que, nos momentos mais difíceis - o desemprego, a hostilidade política de seus detratores, o rompimento de antigas amizades -, foi a presença da mulher que deu forças à sua militância. Gorz diz com todas as letras que Dorine era o "rochedo" sobre o qual essa união estava construída. Condenada por uma doença incurável, não restava muito a ele além de seguir seus passos em direção à morte. E, também por isso, essa carta é uma resposta a Le Traître, em que seu juramento de amor é apenas formal, literário. Aqui, ele é para valer.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Extra! Mimo dá Anemia!
Pois de tanto mimar certa menina, ela ficou anemica.
Não sei se foram as horas de cafuné que aplacavam sua fome, ou o cassaço dessa após sua traquinagens.Poderiam, ainda ser os despetares intermináveis ou as exautivas guerras de cocegas.
Lembro apenas que das reclamações de canseiras e nariz desintupido.
Existe uma chance remota de suas hemoglinas terem ficado desorientadas, dado os sofisticados conceitos de orientação de sua produtora.
Enfim, resta-me agora sobstituir os mimos por ferro.
Irônico isso, não?
Vinho tem ferro?
Não sei se foram as horas de cafuné que aplacavam sua fome, ou o cassaço dessa após sua traquinagens.Poderiam, ainda ser os despetares intermináveis ou as exautivas guerras de cocegas.
Lembro apenas que das reclamações de canseiras e nariz desintupido.
Existe uma chance remota de suas hemoglinas terem ficado desorientadas, dado os sofisticados conceitos de orientação de sua produtora.
Enfim, resta-me agora sobstituir os mimos por ferro.
Irônico isso, não?
Vinho tem ferro?
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Crise de abstinência.
Sim, ela existe.
Aguardo ancioso o momento qual haverá: queijo brie, vinho e filme.
Ressalto que meu vicio não é gastronomico.
Aguardo ancioso o momento qual haverá: queijo brie, vinho e filme.
Ressalto que meu vicio não é gastronomico.
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